O processo de produção de textos segundo Flower e Hayes
Que diálogo podemos estabelecer entre as concepções de autoria e de enunciado de Bakhtin e a proposição de Flower e Hayes acerca da escrita enquanto atividade de resolução de problemas
Que diálogo podemos estabelecer entre as concepções de autoria e de enunciado de Bakhtin e a proposição de Flower e Hayes acerca da escrita enquanto atividade de resolução de problemas
O texto sobre o processo de produção de textos segundo Flower e Hayes traz observações valiosas para o processo de aprendizagem, em especial já me provocou vários questionamentos.
Pensando nas concepções desses autores, percebo alguns pontos possíveis para este diálogo entre Baktin e a proposições de Flower e Hayes, começaremos com a citação:
“(...) o discurso do autor-criador não é a voz direta do escritor, mas um ato de apropriação refratada de uma voz social (...) O escritor é, então, a pessoa capaz de trabalhar numa linguagem enquanto permanece fora dessa linguagem.” (Baktin, 2005, p.40)
Essa citação do Baktin se aproxima das proposições do Flower e Hayes sobre as reflexões que os escritores mais experiente fazem ao pensar para quem vão escrever, com que gênero e com qual preocupação de convencimento deste leitor.
“Estabelecer objetivos de comunicação para atingir o leitor pode ser muito produtivo para o escritor. (...) ter intenções claras com relação ao efeito que seu texto deve provocar no leitor, é o modo mais eficiente para um escritor produzir novas idéias durante o processo de composição. Um segundo objetivo (...) é o que envolve a relação que o escritor deseja estabelecer como o leitor, a imagem de si mesmo (...) O terceiro objetivo que um escritor tem em mente quando escreve em texto envolve suas incursões na tentativa de construir uma cadeia coerente de ideias a fim de atribuir sentido ao que pretende dizer. (...) O quarto objetivo (...) Flower e Hayes (1994, p. 71) observaram que decisões básicas sobre o gênero e a sequenciação de ideias parecem ser tomadas logo no início da composição do texto, (...)” (Flower e Hayes, 1994)
A rede de idéias que o autor vai criando enquanto elabora sua escrita depende dos conhecimentos que ele tem sobre o assunto que vai desenvolver, sobre o gênero que vai escrever e o arcabouço de recursos linguísticos que pode utilizar, a relação que vai construir com o leitor e por conseqüência a imagem de autor que assumirá em sua composição.
Nesse aspecto uma proposição do Bakhtin apóia o olhar dessa imagem do autor-criador:
“ (...) o pressuposto bakhtiniano forte do primado da alteridade, no sentido de que tenho de passar pela consciência do outro para me constituir”. (Bakhtin, 2005, p.43)
É através do outro, do olhar do outro sobre mim mesmo, sobre a imagem que o outro tem sobre o que sou, sobre o que aparento ser é que constituo como ser. A influência do social, a relação que estabeleço com ele, minhas representações e imagens influenciam e constituem a noção que construo de minha realidade. E ao escrever posso elaborar como a relação com o leitor pode acontecer, a imagem ou a voz que pretende criar para representar no texto.
O enunciado para Bakhtin é a palavra em uso social, que reflete um contexto e se encontra impregnado de valores do autor, construindo um diálogo com outros enunciados, um diálogo com pares escritores. O texto da materialidade ao enunciado e ao discurso do autor, em uma relação semiótica.
Nas conclusões de seus trabalhos Flower e Hayes colocam:
“Escritores com mais recursos respondem a todos os aspectos do problema retórico: representem não somente a audiência e a tarefa como tembém seus objetivos envolvendo o leitor, a construção de uma imagem de sis, o foco a ser dado para o conteúdo semântico e a utilização dos recursos linguísticos que estruturam o texto. (...) não somente em extensão, mas em profundidade.” (Flower e Hayes, 2005, p. 7- 8)
Pensando nas concepções desses autores, percebo alguns pontos possíveis para este diálogo entre Baktin e a proposições de Flower e Hayes, começaremos com a citação:
“(...) o discurso do autor-criador não é a voz direta do escritor, mas um ato de apropriação refratada de uma voz social (...) O escritor é, então, a pessoa capaz de trabalhar numa linguagem enquanto permanece fora dessa linguagem.” (Baktin, 2005, p.40)
Essa citação do Baktin se aproxima das proposições do Flower e Hayes sobre as reflexões que os escritores mais experiente fazem ao pensar para quem vão escrever, com que gênero e com qual preocupação de convencimento deste leitor.
“Estabelecer objetivos de comunicação para atingir o leitor pode ser muito produtivo para o escritor. (...) ter intenções claras com relação ao efeito que seu texto deve provocar no leitor, é o modo mais eficiente para um escritor produzir novas idéias durante o processo de composição. Um segundo objetivo (...) é o que envolve a relação que o escritor deseja estabelecer como o leitor, a imagem de si mesmo (...) O terceiro objetivo que um escritor tem em mente quando escreve em texto envolve suas incursões na tentativa de construir uma cadeia coerente de ideias a fim de atribuir sentido ao que pretende dizer. (...) O quarto objetivo (...) Flower e Hayes (1994, p. 71) observaram que decisões básicas sobre o gênero e a sequenciação de ideias parecem ser tomadas logo no início da composição do texto, (...)” (Flower e Hayes, 1994)
A rede de idéias que o autor vai criando enquanto elabora sua escrita depende dos conhecimentos que ele tem sobre o assunto que vai desenvolver, sobre o gênero que vai escrever e o arcabouço de recursos linguísticos que pode utilizar, a relação que vai construir com o leitor e por conseqüência a imagem de autor que assumirá em sua composição.
Nesse aspecto uma proposição do Bakhtin apóia o olhar dessa imagem do autor-criador:
“ (...) o pressuposto bakhtiniano forte do primado da alteridade, no sentido de que tenho de passar pela consciência do outro para me constituir”. (Bakhtin, 2005, p.43)
É através do outro, do olhar do outro sobre mim mesmo, sobre a imagem que o outro tem sobre o que sou, sobre o que aparento ser é que constituo como ser. A influência do social, a relação que estabeleço com ele, minhas representações e imagens influenciam e constituem a noção que construo de minha realidade. E ao escrever posso elaborar como a relação com o leitor pode acontecer, a imagem ou a voz que pretende criar para representar no texto.
O enunciado para Bakhtin é a palavra em uso social, que reflete um contexto e se encontra impregnado de valores do autor, construindo um diálogo com outros enunciados, um diálogo com pares escritores. O texto da materialidade ao enunciado e ao discurso do autor, em uma relação semiótica.
Nas conclusões de seus trabalhos Flower e Hayes colocam:
“Escritores com mais recursos respondem a todos os aspectos do problema retórico: representem não somente a audiência e a tarefa como tembém seus objetivos envolvendo o leitor, a construção de uma imagem de sis, o foco a ser dado para o conteúdo semântico e a utilização dos recursos linguísticos que estruturam o texto. (...) não somente em extensão, mas em profundidade.” (Flower e Hayes, 2005, p. 7- 8)
Um comentário:
Silvana, gostei de observar como o conjunto dessas ideias sobre o processo provocou sua reflexão. Interessante pensar nas relações que o texto constitui entre interlocutores e compreender nossa ingenuidade ao tentar apreender a verdade ou o real, não?
Também é interessante pensar como os discursos se estruturam para produzir tal ou qual efeito, não acha?
Beijo, Márcia.
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