"Finalmente, queremos sugerir, que uma direção produtiva para o estudo da constituição do escritor está na busca de compreensão sobre os diversos planos de dialogia implicados na produção escrita [...]" (GÓES, 1993, p. 115)
Em que se fundamenta tal sugestão? Que dados analisados orientam tal necessidade de compreensão?
GÓES, Maria Cecília Rafael de. A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever. IN: SMOLKA, Ana Luíza B.; GÓES, Maria Cecília Rafael de (Orgs). A linguagem e o outro no espaço escolar: Vygotsky e a construção do conhecimento. Campinas (SP): Papirus, 1993.
Tal fundamentação se apoia no estudo sobre produção escrita, onde percebeu-se que o processo de desenvolvimento dos alunos passavam inicialmente por uma relaçao individual de produção e que não se preocupa espontaneamente com as instancias dialógicas, mas através da interação, da mediação que apontava questões sobre esse âmbito, as crianças eram capazes de usar estratégias e formular aspectos que considerassem o lugar do escritor e do leitor.
O trabalho descrito no texto de Maria Cecília de rafael Góes (1993) tinha como interesse o desenvolvimento, na criança, da capacidade de fazer "propostas de compreensão" e a emergência de ações sobre a linguagem na produção escrita.
O processo de crescimento se faz tanto pela ação do sujeito com suas estratégia e conhecimentos e a emergência de ações so bre a linguagem de produção escrita.
O processo de crescimento ocorre tanto na atividade do sujeito com suas estratégias e conhecimentos constrídos, quanto na participação dos mediadores, em especial no ambito escolar. Conforme Vygostky (1984,1987), a criança está inicialmente centrada mais no objeto do dizer - naquilo sobre o que se diz - do que no próprio dizer - no que e no como se diz. No aspecto da linguagem escrita, da interação enunciador-enunciatário, que caracteriza a função comunicativa, nasce uma relação do sujeito com sua própria escrita. O funcionamento individual implica que a escrita se transforma em meio de ação reflexiva, permitindo ao sujeito elaborar enunciados deliberadamente e torná-los como objeto de análise em termos de adequação, consistencia, lógica etc.
No estudo feito, foram observadas as seguintes situações: explicitação de enunciados comproblemas, reinserção de enunciados inadequadamente encadeados, expansão de segmentos de texto pouco desenvolvidos e elaboração de esquema temático do texto como um todo. E observou-se uma semelhança de critérios em pregados na identificação de problemas textuais em situações de análise individual e análise com ajuda de um parceiro,as crianças tenden a ignorar problemas de organização de enunciados. Porem, conseguiam operar sobre os mesmos, com diferentes graus de êxito, quando se apoiavam nas orientações dadas pela entrevistadora.
As crianças com menor experiência tenderam a operar sobre problemas textuais usando a estratégia de dizer mais (completar ou adicionar enunciado), enquanto que no nível mais avançado apareceu em tendência mais forte a dizer de novo (substituir enunciado).
As crianças mostraram não se preocupar com aspectos dialógicos na análise de seus textos de forma espontânea, mas quando o mediador questiona, pode construir estratégias que consideram os lugares do escritor e do leitor.
Góes (1993), pontua que se assuma o desenvolvimento individual como precedente ao interativo (geneticamente) e, de forma semelhante, uma capacidade monológica à dialógica.
Um comentário:
Silvana, acho que você localizou bem a fundamentação da questão em pauta: a necessidade de se investigar e compreender os diversos planos de dialogia implicados na produção escrita se deve mesmo ao fato de que as crianças necessitam de nossa mediação para aprender a lidar com as questões dialógicas, segundo observou Vygotsky e outros pesquisadores.
Vamos continuar essa discussão em aula...
Beijos, Márcia.
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