
Comentário Roland Barthes
"Na escritura múltipla, com efeito, tudo está para ser deslindado, mas nada para ser decifrado; [...]" (p. 63) “[...] um texto é feito de escrituras múltiplas, oriundas de várias culturas e que entram umas com as outras em diálogo, em paródia, em contestação; mas há um lugar onde essa multiplicidade se reúne, e esse lugar não é o autor, como se disse até o presente, é o leitor: o leitor é o espaço mesmo onde se inscrevem, sem que nenhuma se perca, todas as citações de que é feita uma escritura; a unidade do texto não está em sua origem, mas no seu destino, mas esse destino já não pode ser pessoal: o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem psicologia; ele é apenas esse alguém que mantém reunidos em um mesmo campo todos os traços de que é constituído o escrito." (p. 64)BARTHES, R. A morte do autor. In: ______. O Rumor da Língua, São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 57-64.
"Na escritura múltipla, com efeito, tudo está para ser deslindado, mas nada para ser decifrado; [...]" (p. 63) “[...] um texto é feito de escrituras múltiplas, oriundas de várias culturas e que entram umas com as outras em diálogo, em paródia, em contestação; mas há um lugar onde essa multiplicidade se reúne, e esse lugar não é o autor, como se disse até o presente, é o leitor: o leitor é o espaço mesmo onde se inscrevem, sem que nenhuma se perca, todas as citações de que é feita uma escritura; a unidade do texto não está em sua origem, mas no seu destino, mas esse destino já não pode ser pessoal: o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem psicologia; ele é apenas esse alguém que mantém reunidos em um mesmo campo todos os traços de que é constituído o escrito." (p. 64)BARTHES, R. A morte do autor. In: ______. O Rumor da Língua, São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 57-64.
Barthes discute que o texto é constituído por diversas vozes e influências que o autor reúne em suas experiências. O autor ao construir o seu texto se propõe a organizar e convergir as idéias a um foco, podendo tecer uma série de relações e diálogos, constituindo um só corpo, o texto.
Cabe ao leitor dar transparência as idéias do texto, que apoiado em seu arcabouço de experiências, constituirá um significado que estará influenciado por seus conhecimentos, por outras leituras e contextos. O leitor pode conter o contingente de diferentes conteúdos que significarão os fios do tecido texto, fios que o autor tão sistematicamente teceu nas relações do texto.
A cada leitor, ou a cada “momento de vida” de um mesmo leitor, o texto poderá significar diferentes compreensões, influenciadas por novos conhecimentos ou experiências, pois o leitor se utilizará de todos os seus conhecimentos para interpretar e compreender o texto. É importante perceber que ao mesmo tempo que o leitor se esforça para compreende o texto, também se constitui, organiza seus conhecimentos de mundo e pode compreender o mundo que o cerca.
2 comentários:
Silvana, tudo bem?
Ah, como é difícil nos desvencilharmos de nosso conhecimento e nossas concepções para ler um texto tão datado como esse, não? Acho que você já observou isso.
Pareceu-me que,em seu comentário, você acabou abordando pouco o assunto específico do texto lido, concorda?
Acho também que com o conhecimento que você já tem sobre o tema, poderia comentar criticamente o texto de Barthes com muita propriedade.
Sugiro, então, que você volte ao texto do Barthes e refaça seu percurso. Agora, penso que será mais fácil. Ou não?
Beijinho, Márcia.
Olá Silvana, estou com ciúmes... tantas boas conversas em classe. Cadê seus comentários sobre nossas leituras de Piaget!
um abraço
Andréa
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